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Créditos
Médio formato 6x6cm, da série “Peregrinos do Quotidiano”, produzidas em três formatos em archival inkjet prints, 50x50 / 90x90 / 125x125.
Memória descritiva
“Peregrinos do Quotidiano”
Este Projecto foi desenvolvido em 2006 em algumas cidades asiáticas, Bangkok, Macau, Hong Kong, Pequim, Xangai e Tóquio. Em todas elas, território e comportamentos estão em acelerada alteração. As cidades parecem espelhar o nosso estado de alma, revelam segredos que podem ser descodificados quando o olhar valoriza mínimos detalhes: é entre linhas que procuro as ambiguidades e contradições.
De uma forma intuitiva e aleatória caminho pelas ruas, sou atraído por luzes, cores, cenários, pessoas anónimas que se cruzam comigo e que convido a posar. Os retratos são realizados muito rapidamente mas, de uma forma rigorosa e selectiva, procuro relacionar a pessoa com o fundo. Abandonara um pouco o estatismo do retrato e procurava o movimento – uma tentação de apanhar o fluxo da realidade. Usei processos que respondiam ao nosso modo de apreender e evocar o mundo em relances imperfeitos, (desfocagem, grandes planos de pormenor…), mas mantive sempre como objectivos a sedução das imagens e a indeterminação de significado que traz consigo o mistério.
Como o foque e o desfoque criam tensão, os rostos desfocados transformam-se em máscaras fugidias; esse deficit de informação conquista a atenção do observador e atribui maior protagonismo, mas também enigma ao retratado, - o anonimato é sempre intrigante. As imagens sem gente contextualizam e criam diálogo com os retratos, são atmosferas emotivas, jogos de descodificação.
Sem recorrer a qualquer manipulação digital o trabalho foi realizado em médio formato com uso de color reversal film.
(Virgílio Ferreira)
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O percurso de Virgílio Ferreira, permite-nos afirmar estarmos em presença de um dos mais rigorosos fotógrafos nacionais na área do retrato. Contudo, nesta série, “Daily Pilgrins”, o autor decidiu quebrar as regras académicas da iluminação e composição tradicionais daquele território fotográfico, para nos fazer mergulhar num ambiente bem mais obscuro, que nos obriga a uma análise transcendente aos paradigmas comuns da imagem fotográfica.
Aparentando retratos, estas fotografias ultrapassam essa forma de representação, constituindo um desafio e uma provocação para o observador. Como é sabido, a fotografia não teve o engenho de criar uma terminologia própria do meio, tornando-se herdeira do vocabulário da pintura: retrato, natureza morta, paisagem, etc. Como classificar então estas imagens?
Aproximando-se, efectivamente, daquilo a que usualmente apelidamos de retrato, estas imagens negam-nos uma identidade objectiva, onde a única marca possível de reconhecimento é a fisionomia asiática dos seus protagonistas. Para mim, torna-se particularmente enigmática, a fotografia que exibe um retrato pintado sobre o plano de fundo, e o personagem surge como uma figura fantasmagórica, criando uma perspectiva invertida de um duplo.
Estas imagens inscrevem-se, com perfeição, num quadro de contemporaneidade fotográfica, não apenas por colocarem em causa a objectividade do dispositivo fotográfico (desfoque), mas também pela inclusão de normativos actualmente característicos do meio, como sejam a ambiguidade e a metáfora. O tempo destas imagens é dúbio. Podemos estar perante o amanhecer ou o anoitecer, o que nos convoca para diferentes interpretações. Algumas das personagens presentes podem assemelhar-se a figuras de porcelana, cuja fragilidade navega na noite de uma grande metrópole, onde a identidade se confunde com tantas outras do mundo globalizado.
No seu conjunto, estas fotografias podem-nos remeter para um universo onírico, numa espécie de viagem ao subconsciente. Daí, a sua enorme potencialidade interpretativa, para a qual se convida cada espectador a criar a sua própria história.
(Rui Prata, Dezembro de 2009)


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